Roberto Martinez deu uma longa entrevista ao jornal espanhol Marca, publicada esta terça-feira. O espanhol que comanda a seleção nacional voltou a deixar palavras bonitas sobre Cristiano Ronaldo, jogador que não cansa de elogiar. Roberto Martinez também falou da forma como a morte de Diogo Jota influenciou e influencia a equipa.
Porquê Cristiano Ronaldo continua indiscutível em Portuga? “A atitude. Há três pilares que analisamos constantemente: o talento, a experiência e a atitude que ele pode trazer para a Seleção. Essa exigência máxima que ele tem consigo mesmo para estar presente e ajudar é o que permite ao capitão da seleção estar sempre na lista dos convocados. Essa vontade de ser o melhor transmite-se em campo. É contagiante. 25 golos em 30 jogos a jogar como ‘9’ demonstra que o que ele faz em campo gera muito para a seleção.”
Consigo Cristiano Ronaldo tem a melhor média de golos por jogo: “Tem muito a ver com a mudança de posição dele. Estamos a falar de um jogador que começou por ser um extremo muito habilidoso e agora é mais um jogador de referência dentro da área. Vemos isso: Cristiano condiciona o adversário. Quando está em campo, abre-se outro espaço porque há dois jogadores que vão estar atentos à sua marcação.”
Cristiano Ronaldo chegará aos 1000 golos? “Está num momento muito bom da sua carreira. E conseguiu isso porque vive o dia a dia. Quando fala dos seus objetivos, ele afasta-se muito do longo prazo: chegar aos 1000, jogar um determinado número de jogos… O seu segredo é ser o melhor hoje e aproveitar o dia a dia. Então, o número será uma consequência do dia em que ele decidir parar. Não acho que seja um objetivo.”
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Impacto da morte de Diogo Jota na Seleção: “Foi uma tragédia a nível humano, social, que transcende o desporto. É gerida com naturalidade, respeitando que todos temos de passar pelo luto de uma forma diferente. No nosso caso, o balneário lidou com isso com um sentido de responsabilidade. O Diogo era uma fonte de positividade, sempre pronto para lutar. E um virtuoso: trazia intensidade, versatilidade, tinha golo… Era um jogador insubstituível. Ganhámos juntos a Liga das Nações e todos sabíamos que o sonho dele era ganhar o Mundial. Tivemos de aceitar isso.”
O seu legado: “Deixou-nos a ideia de que na vida temos de aproveitar ao máximo e viver o presente. Essa mensagem é muito forte e já houve muitos sinais: no primeiro jogo na Arménia, marcámos aos 21 minutos, houve mais um minuto de aplausos aos 21 minutos e a Hungria marcou… Queríamos retirar o seu número, mas Rúben Neves, o seu amigo mais próximo, ficou com ele a pedido da família e, após 60 internacionalizações, marcou o seu primeiro golo. Levamos o Diogo como mais uma força. É aquela luz que nos faz lembrar que temos que dar tudo e aproveitar, porque há coisas que não podemos controlar. Ele era muito próximo e sempre teve essa preocupação em conectar-se com a comunidade. Tinha a sua escola de futebol na sua cidade natal. Foi um dos grandes embaixadores dos eSports de futebol. Dentro do balneário era muito humano. Tinha contacto com todos. Era adorado, fazia-se querer, mas para ele o futebol era muito simples: era preciso dar tudo e acreditar sempre que era possível alcançar o sonho mais impossível. A sua
Ponte forte de Portugal: “Flexibilidade tática. Tentar diferentes aspetos táticos é fácil, mas executá-los bem é muito difícil. Isso tem a ver com a educação do futebolista português: eles são competitivos e adoram informação tática. Essa mistura permite usar diferentes formas de jogar, dependendo do que é necessário.”
Vencer a Liga das Nações: “A Liga das Nações tem vindo a melhorar até chegar a um ponto em que se tornou o torneio de seleções com o maior número de jogos (10). Além disso, é disputada ao longo de 10 meses, o que implica exigência e consistência. Na final four, Portugal venceu a Alemanha na Alemanha 25 anos depois e depois enfrentou a Espanha, a campeã europeia, pela primeira vez numa final. Não há jogos mais difíceis do que estes. Não tem o prestígio de um Europeu nem de um Mundial, mas o grau de dificuldade é muito elevado.”
Como preparou a equipa para vencer a Espanha na final da Liga das Nações? “A Espanha é uma equipa que exige muito, porque é preciso defendê-la em duas áreas muito diferentes: não se pode deixar que construa o jogo e, além disso, é preciso defender o ataque rápido ao espaço com Lamine e Nico. Tínhamos de estar no nosso melhor. Jogámos de igual para igual e fomos nós próprios. O que provavelmente nos deu a vitória foi que, do início ao fim, crescemos muito e chegámos muito fortes ao prolongamento. As entradas de Diogo Jota, Rafael Leão, Rúben Neves, ajudaram-nos muito.”
Esta é a geração de ouro do futebol português? “A melhor geração do futebol português é a de 66. Quando falamos em premiar uma geração, deve ser um grupo que conquiste um título, um aspeto que os diferencie. Temos jogadores excecionais com uma competitividade tremenda. O desafio é esse. Este balneário merece ser a melhor geração de sempre, mas isso não se dá. Isso tem de ser conquistado em campo.”























