O Boavista deu um passo decisivo para evitar o encerramento imediato da sua atividade, ao depositar na segunda-feira 55 mil euros na conta da massa insolvente dos credores, cumprindo assim uma exigência do tribunal para garantir a continuidade do clube.
– Tudo sobre o desporto nacional e internacional em sportinforma.sapo.pt –
Em declarações à agência Lusa, o presidente axadrezado, Rui Garrido Pereira, confirmou que o pagamento foi efetuado dentro do prazo e sublinhou o papel determinante do apoio dos adeptos. “Foi cumprido com a colaboração de muitos boavisteiros, aos quais tenho de agradecer. Isso permitiu cumprir a obrigação que tínhamos junto do tribunal”, afirmou.
O valor agora liquidado destinou-se a cobrir despesas correntes relativas ao mês de dezembro e a primeira tranche do plano acordado com os credores. Até março, o clube terá ainda de pagar, sempre até ao dia 10 de cada mês, mais 96 mil euros, acrescidos das verbas indicadas pela administradora de insolvência, Maria Clarisse Barros, para suportar os encargos mensais.
O risco, porém, mantém-se elevado. Em caso de incumprimento, a administradora pode ordenar o encerramento imediato da atividade do clube, com efeitos 15 dias depois, sem necessidade de nova assembleia de credores. “Estamos a travar uma batalha para ter um Boavista vivo. Sabemos que temos obrigações e esse é o nosso dever a cada momento. O Boavista está sempre no limite”, reconheceu Rui Garrido Pereira.
A sobrevivência imediata foi assegurada graças a uma campanha pública de angariação de fundos lançada dias depois de o clube ter chegado a acordo com os credores no Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia. A iniciativa permitiu contributos entre os 40 e os 40 mil euros, envolvendo não só adeptos, mas também apoiantes sem ligação direta ao clube. “Queremos mais participação da sociedade, como demonstração de força e vontade para ultrapassar esta situação”, reforçou o dirigente.
Paralelamente, a direção continua em negociações com entidades públicas e investidores privados, procurando viabilizar um plano de recuperação financeira que assegure o futuro da instituição, atualmente sem equipa sénior de futebol há cerca de dois meses. Rui Garrido Pereira lamentou ainda as “relações inexistentes” com a SAD, acusando-a de não cumprir integralmente o protocolo estabelecido com o clube.
Recorde-se que, em novembro, a administradora de insolvência tinha solicitado o fecho do Boavista, considerando que o clube estava a gerar prejuízos para a massa insolvente, acumulando novas dívidas, apesar de a liquidação já ter sido aprovada dois meses antes.
O clube detém 10% do capital social da SAD, que deveria competir na II Liga em 2025/26, mas que deixou de ter equipa profissional no verão, acabando relegada administrativamente para o principal escalão da Associação de Futebol do Porto. Atualmente, a SAD ocupa o 17.º e penúltimo lugar desse campeonato distrital e joga como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a poucos quilómetros do Estádio do Bessa, encerrado desde maio.
Quanto ao clube, chegou a inscrever-se na quarta divisão distrital, mas acabou por abdicar da competição em outubro, sem realizar qualquer jogo, devido à solidariedade com as dívidas da SAD, que acumula sete impedimentos de inscrição de jogadores junto da FIFA.
Apesar do cenário crítico, Rui Garrido Pereira insiste na resistência. “Estamos a lutar pela nossa sobrevivência e a trabalhar na recuperação do clube. Há muito constrangimento, mas temos de saber viver com isso e sair desta situação”, concluiu.
Despromovidos à II Liga em maio, após o último lugar na I Liga 2024/25, os axadrezados encerraram um ciclo de 11 épocas consecutivas no principal escalão. Um desfecho duro para um clube histórico, campeão nacional em 2000/01, e que continua agora a lutar, fora das quatro linhas, pela própria sobrevivência.























