José Mourinho fez na manhã deste sábado o lançamento da partida entre Benfica e SC Braga, relativa à 16ª jornada da Primeira Liga, que se irá realizar no domingo às 18 horas.
O técnico dos encarnados antevê um jogo muito complicado diante de um adversário que tem muita qualidade. Mourinho aproveitou ainda para comentar as recentes palavras de Frederico Varandas, assim como a chegada de Sidny Cabral.
O jogo: “Difícil, muito difícil. Mas temos a convicção que estamos num bom momento. Os quatro resultados são bons, mas não só os quatro resultados. Fizemos muita coisa bem e sentimos a evolução em diferentes aspetos do nosso jogo. E, por isso, a esperança de conseguir um bom resultado contra uma equipa que é muito boa. Esperamos um jogo difícil para nós e para eles”
O SC Braga: “O adversário, como disse e bem, a maneira como jogou contra o Sporting e contra o FC Porto mostra não só a qualidade de um modo geral, mas as qualidades enquanto equipa. Já sabemos que é a equipa que tem uma maior percentagem de posse de bola na Liga e isso diz muito acerca da filosofia de jogo do treinador e da maneira como a equipa joga. Fui, como devem saber, ao Estoril ver o jogo. Dá-me um feeling diferente, uma perspetiva diferente do que é a análise com os meios que temos à disposição. Não foi propriamente o melhor jogo do Sp. Braga, mas foi o suficiente para sentir aquele modo de jogar. Atraem o adversário, têm posse, obrigam o adversário a tomar decisões de andar atrás ou de aceitar a questão da posse de bola. Depois também têm individualidades muito boas. Se calhar para eles é importante os últimos resultados, o feeling de que o Benfica, em Braga, não consegue bons resultados. Será uma coisa à qual se agarrarão. Do ponto de vista emocional, gosto que ignoremos isso. Da mesma maneira que o fizemos frente ao Moreirense. Relativamente à parte inicial da pergunta, acho que, principalmente quando perdemos o Lukebakio, ficámos um bocadinho coxos relativamente àquele perfil de jogador. Demos uma equipa outra dimensão, começámos a ser mais compactos, a pressionar de maneira diferente, a partir de uma base de jogo de grande solidez. A equipa começou-se a sentir muito confortável, começámos a ter algumas rotinas de pressão que fizeram de nós uma das equipas que mais pressiona no meio-campo adversário. E é tentar dar continuidade ao que de bom temos feito”
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Chegada de Sidny: “Sim, sim. É daqueles jogadores que beneficiam muito a sua equipa pelo facto de serem verdadeiramente polivalentes. Mesmo conversando com ele, dá para perceber que é igual para ele do ponto de vista do prazer e da confiança. É igual jogar à direita, esquerda, como lateral ou ala. E isso dá a uma equipa uma segurança em termos das opções, um bocadinho à imagem do Aursnes. Diria que se o Aursnes ou um dia estiverem no banco, em vez de necessitar de nove jogadores no banco basta ter cinco. Aqueles jogam em quatro posições diferentes. Mas é um jogador que me obriga também a procurar o melhor para ele. Sei que pode jogar nas quatro, está contente por jogar nas quatro, mas há sempre uma onde o jogador é mais forte. E tenho de o ajudar a descobrir porque ele próprio não sabe muito bem. Mas uma equipa como nós, que normalmente joga muitos jogos durante a época, que tem o calendário sobrecarregado, ter este tipo de jogadores que depois também têm uma condição física e ADN muito próprio, parece-me ser um jogador muito adaptado a este calendário”
Declarações de Frederico Varandas: “Não quero comentar as palavras do presidente do Sporting e tentarei não comentar as palavras de nenhum dos presidentes. Mas a última parte da tua pergunta, se é gasolina para nós, não. A história do Benfica mostra que algumas vezes chega atrasado, mas que, na maior parte das vezes, não o chega. O Lewis Hamilton chegou atrasado nos dois últimos Mundiais de Fórmula 1 mas ganhou sete ou oito. Não chega sempre atrasado. É o piloto de Fórmula 1 que tem mais campeonatos, penso eu. A história do Benfica mostra que sim, algumas vezes chega atrasado, como nas últimas duas épocas, mas a história mostra que é o clube com mais troféus em Portugal. Não precisamos desse tipo de incentivo. O incentivo que temos é o orgulho próprio, o sermos profissionais, o lutarmos até aos nossos limites, é acreditar que a matemática é que decide as possibilidades que existem de ganhar ou não ganhar, de chegar primeiro ou depois. E vamos continuar assim”
Receio de perder Otamendi: “Não tenho medo absolutamente nenhum. Não me disse nada, não comentou nada, o presidente, o Mário Branco, o Simão Sabrosa, ninguém me disse nada sobre o Otamendi sair. Não tenho necessidade de estar preocupado. A minha relação com o presidente é boa, o Mário Branco e o Simão estão aqui todos os dias exatamente os mesmos minutos que eu aqui estou. Nenhum deles me tocou sobre esse assunto e não tenho motivos para estar preocupado. Estarei se algum deles me disser alguma coisa”
Importância da partida: “O sucesso das equipas também tem a ver com o sucesso ou insucesso das outras equipas. Se continuarmos a somar pontos como temos feito, obviamente que se as equipas à nossa frente tivessem perdido pontos estaríamos mais perto. Com as vitórias delas, claro que ganhas e não te aproximas. Mas desde que ganhes, não te afastas. A única coisa que depende de nós são os nossos resultados. Temos de fazer o nosso trabalho. O jogo em Braga é uma final? É. Mas o jogo com o Famalicão era, com o Moreirense era, com o Nápoles era. A única coisa que temos feito nos últimos tempos é jogar finais. Com o Estoril será uma final, com o Sp. Braga em Leiria também. E é o janeiro que nos espera depois de em dezembro ter sido igual”
Barreiro e Tomás Araújo disponíveis?: “100% não direi, mas treinaram ontem com a equipa. Os sinais são positivos. Na semana passada, falei à BTV e disse que o Barreiro estava bem. Eu disse antes do treino, depois não estava bem. Hoje também existe esse risco. Estou a contar com ele para treinar normalmente, mas não posso garantir que está para ir a jogo porque tenho receio que possa acontecer algo do que aconteceu. Aproveito para dizer o motivo da conferência de imprensa ser tão cedo: tinha preparado uma resposta meio provocadora, que era o facto de ter a esperança que vocês não aparecessem. Mas a realidade é que temos reunião a seguir ao treino e partimos mais cedo para o Norte do que o habitual. O treino acaba, reunião, almoço, ir imediatamente para a Luz, que é de onde partimos e deixamos os carros. Tudo isso vai ser muito rápido. Para vir aqui dois ou três minutos… Ou fazíamos BTV novamente, ou antes do treino. Perdemos dois dias com o 24 e o 25, que normalmente são dois dias de trabalho. Estamos juntos, temos reuniões de trabalho, reuniões de grupo. Perdemos por razões óbvias e para o bem emocional de jogadores e funcionários. Mas temos de chegar um bocadinho mais cedo, uma reunião que já deveríamos ter tido… Normalmente chegamos à hora de jantar, hoje queremos chegar 1h30 antes do jantar [a Braga] para termos algum tempo”
Mercado de inverno: “Não se trata de ter uma equipa à minha imagem, trata-se de fazer o melhor para o Benfica hoje e amanhã. Quando digo amanhã, digo também o próximo campeonato. Quanto melhor fizermos as coisas neste mercado, menos teremos de fazer na próxima pré-época. O Benfica teve um investimento económico forte neste verão. Obviamente que a intenção é que no próximo não haja necessidade de investimento tão grande, que não haja necessidade de mudar tanto, com tanta gente a sair e a entrar. É preciso estabilidade, um grupo grande de jogadores que vão crescendo juntos. Se fizermos agora só o Lopes Cabral ou outros dois jogadores, é menos trabalho que se tem de fazer no verão, é mais estabilidade e equilíbrio. Como hoje estou numa de porreiro e vocês não têm tempo de fazer as perguntas todas, vou na direção de algumas coisas que foram ditas. Vou falar da influência de Lopes Cabral em Banjaqui e José Neto. Não tem nada a ver. Se há alguém que se preocupa com Banjaqui e José Neto é o Benfica. Não é nenhum comentador. São dois jogadores que há dois meses não tinham um minuto sequer na equipa B. O Banjaqui tinha, o José Neto nem sequer tinha lá ido treinar. Neste momento, treinam com a equipa principal. E isso é, aos 17 ou 18 anos, um bónus, uma aceleração de um processo de maturação. Cada minuto no banco com a primeira equipa, a jogar com a primeira equipa, é um acelerar do processo de evolução. Mas também precisam de muitos minutos. E isso só têm na equipa B, na Youth League. Esta cooperação que existe entre mim e o Veríssimo… E não falo só destes jogadores. Tiago Freitas, Gonçalo Oliveira, João Rego e Rodrigo Rego… Treinar connosco sim, obrigatório, ter algum tempo de jogo connosco, também, mas ganhar experiência… A Liga 2 é muito forte. Há dois meses jogavam com os meninos da idade, e hoje ao jogarem e treinarem connosco e na equipa B, contra jogadores de 30, 32, 34 e 35 anos, contra equipas boas como Farense, Marítimo, Vizela, U. Leiria… Não há ninguém que se preocupe com eles como nós. Deixem lá o Sidny em paz, o José, o Banjaqui… Todos esses garotos”
Sidny e o sistema de 3 centrais: “Não tenho a intenção de fazer dos três defesas, muito menos dos cinco, o sistema principal do Benfica. Como já fizemos em algum jogo, como com o Nápoles nos últimos 10 minutos, ter a equipa preparada para o poder fazer, ótimo. Para mim é sempre o problema do mercado de janeiro. Quando compras um jogador no verão, tens seis semanas, às vezes sete, para o preparar para o primeiro jogo. Quando tens um jogador em janeiro, normalmente tens um dia ou dois. Tem de ser um processo de adquirir o que é fundamental na nossa equipa. O facto do Sidny jogar a três… Por um lado ajuda, por outro pode eventualmente preocupar. Mas é um rapaz que cresceu com a sua formação na Holanda, que normalmente são escolas importantes e educativas. Acredito que seja um rapaz com cultura tática. Conversei com ele cinco minutos ao telefone uma vez e deu para perceber que é inteligente, aberto, confiante. Acredito que podemos acelerar o processo de adaptação dele”
Bah e os outros lesionados: “Nem sequer treinou com a primeira equipa desde que eu cheguei, ainda não tive Bah numa única sessão de treino. Está atrasado, sim. E se está atrasado é porque há coisas que não correram bem. São lesões difíceis. O próprio Manu, apesar de já andar a jogar, penso que é fácil perceber ainda algum atraso ao que é o verdadeiro Manu. Vejo o próprio Bruma um bocadinho mais perto do que o Bah. O Bruma já o vejo em campo, já o vejo a trabalhar individualmente a um ritmo e intensidade engraçados. O Bah não consigo prever quando pode voltar…”























